Câncer de pênis

Disgnóstico, sintomas, tratamentos e cirurgias

Em países em desenvolvimento, o câncer de pênis é muito mais comum do que em outros países mais desenvolvidos, quer seja pela educação sanitária, quer seja pela higiene pessoal, já que frequentemente nota-se este tipo de situação em pessoas de baixo nível socioeconômico e com precários hábitos higiênicos.

No Brasil, existe uma clara demonstração disto. Nos Estados do Norte e Nordeste, o câncer de pênis é três vezes mais incidente do que no Sul do País. Os homens circuncisados têm menor frequência da doença do que os que não foram operados. Isto vem de encontro com os dados da literatura mundial, que referem que nos países de cultura judaica, onde os meninos, logo ao nascerem têm o prepúcio operado por força da religiosidade daquele povo, têm praticamente zero de incidência de câncer de pênis em comparação aos povos de outros países, que não operam a fimose de seus meninos.

E, por consequência, a incidência de câncer do colo uterino das mulheres casadas com homens postectomizados também é muito menor do que daquelas casadas com homens portadores de fimose, provando a ação cancerígena do esmegma (sujidade acumulada no sulco prepucial em homens não circuncisados).

Como visto acima, a pobre higiene local, pela incapacidade de expor a glande pela presença de anel estreito da fimose ou por falta de higiene local, faz com que o acúmulo e a ação irritativa Dio esmegma provoque alterações celulares crônicas e com potencial de malignização da pele local.

Outro agente causador são as verrugas venéreas causadas pelo vírus do HPV, que se não tratadas, crescem, juntam-se em grandes formações frondosas, cuja base sofre alterações cancerosas, levando ao aparecimento do câncer do pênis. Feridas que não cicatrizam são também motivos de preocupação, pois as irritações crônicas da pele e mucosas locais são desencadeadoras de potencial de malignização.

Um sintoma importante é que, geralmente aparecem feridas que não cicatrizam, endurecidas, tipo úlceras crônicas, endurecidas que, com o passar do tempo, aumentam em tamanho e se aprofundam atingindo estruturas abaixo da pele. São lesões geralmente fétidas, com secreção e que, por falta de conhecimento e de higiene, podem passar despercebidas ou não valorizadas. Quando atingem os corpos cavernosos, provocam dores à ereção, e quanto mais desenvolvidas as lesões, pior é o prognóstico.

A cirurgia é, na maioria dos casos, a opção mais indicada, embora exista a possibilidade do uso de radioterapia externa em casos limitados. A cirurgia tem como objetivo a retirada total da lesão com margem de segurança, dependendo do tamanho da lesão, em geral, mutilante, pois existem casos em que é necessária a retirada total do pênis e a implantação da uretra na região perineal. Se o tumor for pequeno e distal, pode-se amputar só a glande incluindo a lesão, após a biópsia de confirmação da lesão. Se for maior e estiver numa área mais no meio do pênis, pode-se realizar uma penectomia parcial, restando então um segmento de aproximadamente seis centímetros, em que são suturados os corpos cavernosos e criado um novo meato uretral. Normalmente, existem gânglios inguinais aumentados de tamanho, ou por infecção associada à lesão ou por metástases do câncer peniano, sendo que após um tratamento com antibióticos e estudo especializado destas cadeias linfáticas, é realizada uma cirurgia para a retirada destes gânglios, e segundo o acometimento ou não, é indicada quimioterapia sistêmica, no combate a metástases tumorais.

As campanhas desenvolvidas pela Sociedade Brasileira de Urologia foram de uma importância enorme para a conscientização dos homens quanto à higiene e constante observação do pênis, e o autoexame, na procura de feridas, úlceras, verrugas, bem como as ações das Secretarias de Saúde e dos Hospitais Universitários, aliados neste combate ao câncer do pênis.

É importante observar que a higiene peniana é fundamental, bem como a procura de um serviço especializado de Urologia, assim que detectar alguma lesão peniana ou uma alteração na coloração, ou feridas verrucosas ou ulceradas, em estágio inicial, podem amenizar um quadro mais grave, levando a mutilação do órgão ou até a morte por metástases generalizadas, em breve espaço de tempo.

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