CRM-SP 28.886
 

Esta matéria tem unicamente o propósito educacional e informativo, não devendo portanto servir para qualquer outro fim.

Uma das maiores preocupações dos homens após completarem 40 anos, é em relação à saúde de suas próstatas. E hoje em dia, graças às campanhas educativas, é cada vez maior a visita anual dos pacientes ao seu médico, vencido o medo e o complexo quanto a esta consulta, verdadeiro tabu, pela possibilidade de terem que se submeter ao toque retal.

É educativo e dever nosso, como especialistas em Urologia, divulgar conceitos e orientações que procuram, em palavras claras e de fácil compreensão, ajudar a pessoas leigas entenderem melhor as doenças mais freqüentes que acometem esta glândula.
A próstata localiza-se logo abaixo da bexiga, em intimo contato com esta, composta por uma cápsula externa e internamente, composta de 3 lobos, que circundam a uretra, canal que conduz a urina ou o sêmen. Superiormente tem um esfíncter muscular que ao contrair-se, fecha o colo vesical, controlando a passagem da urina; e inferiormente, outro esfíncter, com função de abrir-se para a passagem dos produtos eliminados pelos ductos ejaculadores mais o líquido prostático, ou a urina.

Na fase da adolescência, ou no adulto jovem sexualmente ativo, pode ser atingida por bactérias e parasitas sexualmente transmitidas, levando a um quadro de prostatite aguda, que se não tratada corretamente pode evoluir para a prostatite crônica. O primeiro caracteriza-se por secreção uretral purulenta, ardência ao urinar, febre, dor irradiada na região do púbis, ou perineal. A segunda, é um quadro não muito típico, mas que consiste em desconforto na região púbica, ardência uretral constante, saída de secreção uretral intermitente, dor à ejaculação, esperma amarelado, presença de sangue no esperma,sintomas estes de longa duração.

Ambas são tratadas com uso de antibióticos, especialmente aqueles que penetram no tecido prostático, propriedades de apenas alguns antibióticos,variando o tempo de tratamento de acordo com cada caso, de uma semana a 3 meses.

Após os 40 anos de idade, a próstata, começa a apresentar um crescimento progressivo e normal, mediado por fatores genéticos hereditários, fatores teciduais de crescimento, hormônios, podendo ter componentes mais desenvolvidos que outros, sendo ou mais glandulares ou mais musculares estromatosos.

Este crescimento leva a um progressivo estreitamento e afunilamento da uretra em sua porção prostática, o que com o tempo, vai requerer da bexiga, um maior esforço muscular para esvaziar totalmente a cavidade vesical. Os músculos vesicais,vão compensando este esforço hipertrofiando-se, até que este equilíbrio de forças entre em descompasso, e com isto, surgem sintomas primeiramente irritativos da musculatura vesical, e logo após, disfunções, caracterizados por sintomas clássicos, como o aumento do número das micções durante o dia e principalmente à noite, um jato miccional fraco e fino, uma sensação de micção incompleta, urgência e incontinência urinária, podendo estes sintomas serem agravados, por uma coexistência de infecções urinárias, ou até mesmo uma retenção aguda da urina.

A possibilidade de degeneração cancerosa desta glândula, é bem conhecida, e pode ocorrer em algum ponto da próstata, mais freqüentemente em sua porção mais externa e posterior. Ou seja, as duas doenças podem ocorrer simultaneamente, e o acompanhamento anual é a principal arma que temos para detectar precocemente o aparecimento desta neoplasia, sendo que pacientes cujo histórico familiar tem casos de adenocarcinoma da próstata, submetem-se aos controles em regime mais intensivo, já que é bem documentada a herança genética desta doença.

Os sintomas do câncer prostático não diferem muito daqueles presentes na hiperplasia prostática benigna, podendo entretanto apresentar quadros irritativos urinários mais intensos, presença de sangue na urina ou no ejaculado, mas nas duas, os sintomas obstrutivos são similares, como vistos durante exames endoscópicos, em que através de aparelhos com fibras óticas, podemos examinar, documentar e avaliar o grau de estreitamento e comprometimento da uretra prostática.

Evidentemente que na presença de um câncer, medidas mais agressivas são tomadas, e desde que a doença esteja localizada na glândula, podemos optar pela retirada radical e total da próstata, ou a inserção de fios ou sementes radioativas, optando então pela Braquiterapia da próstata. Nos casos mais avançados, com a presença de envolvimento local ou metástases à distância, a opção mais apropriada é o tratamento com uso de medicamentos que bloqueiem a ação dos hormônios masculinos, ou que façam a supressão dos mesmos, com isto induzindo a uma regressão tumoral.

Nos casos de crescimento benigno, onde exista obstrução do fluxo urinário, existem uma grande variedade de medicamentos que podem reduzir o tamanho da próstata, ou alargar por relaxamento a uretra em sua porção prostática.
Próstata hipertrofiada e carcinoma


Numa fase mais adiantada ou em casos que responderam mal ao uso destes medicamentos, a cirurgia para a retirada da parte interna da glândula estará indicada, levando em consideração o tamanho dela, outros comemorativos associados, idade do paciente,etc..., sendo que em casos de próstatas muito grandes, ex. 100 gramas ou mais, indica-se a retirada por via alta, ou seja, através de uma incisão pela bexiga, procedendo-se da mesma forma como retiramos uma tangerina de sua casca, através de uma abertura em sua parte superior, e refazendo a integridade da anatomia local.

Em casos de crescimento pequeno a moderado, mas com um componente obstrutivo importante, opta-se pela raspagem da próstata por via endoscópica intra-uretral, onde com a utilização de instrumentos apropriados, é possível retirarmos em pequenas lascas a próstata, com isto não sendo necessário incisões abdominais, e favorecendo um período pos-operatório mais simples, indololor, e um retorno mais rápido do paciente às suas atividades.

Instrumentos para cirurgia endoscópica da próstata
Instrumentos para endoscopia intra-uretral

A ultima conquista tecnológica é a possibilidade de realizarmos esta raspagem intra-uretral da próstata, com o uso de fibras de quartzo, condutoras de energia gerada por Holmium Laser. A energia liberada na ponta destas fibras, utilizando-se 100 Watts de potencia, leva a desintegração protéica celular, desidratação com ebulição tissular, acarretando simultaneamente um efeito de coagulação de vasos sanguíneos, fazendo com que possamos obter uma ampla loja prostática e praticamente sem perda de sangue, ideal em pacientes com risco alto cirúrgico, hemofílicos, ou pacientes em uso de anti-coagulantes.Com o uso desta fonte de energia, temos como resultado um leito não sangrante e bem regular, abrevia-se o tempo de uso de sondas vesicais de 5 dias para apenas 1 dia, permitindo a alta hospitalar já no dia seguinte da cirurgia.


Visão Endoscópica da Enucleação da Próstata à laser


Prostatectomia Intra-uretral a laser
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